Às quartas na net (com um dia de atraso)

Como tive algumas reacções positivas de leitoras sobre a receita de desodorizante caseiro que mencionei na edição da semana passada desta rubrica, hoje decidi chamar-vos a atenção para as receitas partilhadas em português no blogue Zero Lixo e falar-vos de um livro sobre cosmética natural.

The Natural Beauty Solution: Break Free from Commerical Beauty Products Using Simple Recipes and Natural Ingredients

Não é fácil encontrar receitas de cosméticos naturais que sejam fáceis de fazer e usem ingredientes fáceis de encontrar. Este livro, The Natural Beauty Solution, não só tem um design muito elegante e apelativo, como nos ensina a fazer os nossos próprios cosméticos de modo fácil e acessível. O único ingrediente que não sei onde e como comprar são os vários hidrossóis* (se alguém souber, agradecia), mas como não são fundamentais para todas as receitas, não considero problemático. Já experimentei, assim, várias sugestões para os esfoliantes e máscaras faciais, já reuni os principais ingredientes de que fala o livro e agora só me falta algum tempo, dedicação e coragem para experimentar os restantes, nomeadamente champôs e tónicos faciais.

Por outro lado, o livro português “Beleza NaturalCosméticos e tratamentos feitos em casa para todas as idades” de Maria do Céu Painhas foi uma desilusão. Omite informações essenciais como a conservação e o tempo de armazenamento destes produtos caseiros. Sendo muitos deles feitos à base de  produtos alimentares, requerem um armazenamento no frio e têm uma validade limitada a poucos dias ou semanas. Esta informação não é óbvia para todas as pessoas e deveria ser incluída junto a cada receita.

Por fim, e fugindo um pouco ao tema da cosmética natural, um post da Rosa Pomar, que admiro e muito respeito, sobre as calças de ganga de produção nacional e valor elevado de que falei há uns dias. Ela levanta questões pertinentes que, apesar de continuar a achar 300 € um preço excessivo para umas calças de ganga, ainda que durem a vida inteira, me puseram a pensar. Deixo-vos com um breve excerto:

Actualmente no mundo ocidental a roupa (tal como a comida) é demasiado barata, não reflectindo no preço de venda o seu verdadeiro custo (calças de ganga a vinte euros são só para quem pode fechar os olhos às condições em que são feitas). Isto faz com que cada vez se compre mais peças de roupa e que elas sejam encaradas como um bem praticamente descartável.

 

*Actualização: o termo mais adequado é hidrolato (ver caixa de comentários).

Granola caseira – uma espécie de receita

granola caseira
Já ando há que tempos para colocar aqui a minha receita de granola. O ano passado até cheguei a tirar fotografias em jeito de tutorial, mas depois nunca arranjava tempo para fazer o post. Ontem, quando pus uma fotografia da minha granola no Instagram e fui bombardeada com pedidos da receita, decidi que estava na altura de dar a conhecer o meu segredo. Na verdade, isto não tem nada que saber e é tão fácil e rápido de fazer, que, depois de experimentarem, vocês nunca mais vão querer granola de compra.

Esta é, então, a minha receita base de granola. A primeira receita de granola que fiz foi a da Bimby (livro verde de receitas saudáveis), mas achei demasiado doce e fui adaptando. Li várias receitas e fui retirando ideias daqui e dali. Ao longo de vários meses, fiz muitas experiências até chegar àquela que, posso agora dizer, é a base que nunca engana. A esta base podemos acrescentar ingredientes, consoante o gosto de cada um. Por exemplo, nós não gostamos muito de frutas secas, tipo alperce, passas ou figos secos, mas há quem as adicione no final. Já experimentei com bagas Goji ou maçã desidratada com canela, que fica muito bem, mas é mesmo ao gosto de cada um.

O problema desta receita podem ser as quantidades, pois faço tudo a olho. Talvez uma boa relação seja usar na primeira vez 500 gr de aveia e juntar os outros ingredientes numa relação de 70:30, mais coisa menos coisa. À medida que forem experimentando, vão acertando cada vez mais nas quantidades certas.

Ingredientes para a mistura seca: 
– aveia (já experimentei com outros cereais, como flocos de centeio, de arroz ou trigo sarraceno, mas chegámos à conclusão que a aveia não precisa de companhia!)
– frutos secos (invariavelmente amêndoa e noz; outros frutos se tiver em casa)
– sementes (de girassol, linhaça e de abóbora)
– coco ralado (descanse quem não gosta de coco, pois o sabor não se nota por aí além)
ingredientes secos granola
Ingredientes para a mistura líquida:
– geleia de arroz (para um quilo de aveia, uso um pouco mais de metade de um frasco de geleia de arroz)
– 1 c. sopa de óleo de coco (alternativa: azeite, como se vê na foto)
– xarope de ácer ou mel a gosto para adoçar mais, mas é opcional
– 1 ou 2 c. sopa de canela, a gosto
Podem usar apenas mel se quiserem que fique bem docinho.
ingredientes granola
Preparação:
1. Se não quiserem apanhar amêndoas inteiras, triturem ou partam os frutos secos em bocados mais pequenos.
2. Misturem todos os ingredientes secos numa tigela funda.
3. Levem os ingredientes líquidos todos misturados a lume brando até levantar fervura, mexendo de vez em quando.
4. Depois de levantar fervura, juntem o líquido à mistura seca, misturando tudo com uma espátula tipo salazar. Vão juntando aos poucos, de modo a cobrirem toda a mistura. Costumo deitar os restos que ficam no fundo (e que não ficam embebidos com o líquido) dentro do tacho do líquido, para aproveitar tudo.
É difícil dizer qual é a dose certa de líquido para a mistura seca, mas, por exemplo, para 1 kg de aveia (mais restantes ingredientes), uso um pouco mais de metade do frasco de geleia de arroz + óleo de coco + mel.
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A consistência desejada é pegajosa, deve pegar-se à espátula e aos dedos, tipo assim:
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5. Vai ao forno pré-aquecido durante 15-20 minutos a 130ºC (função ventoinha). Atenção: esta parte é crítica, pois, dependendo do forno, a granola pode queimar muito depressa. Costumo pôr um temporizador para mexer a granola de 5 em 5 minutos, ou menos, se necessário. Caso optem por uma temperatura mais elevada, têm de mexer a granola com mais frequência, caso contrário a parte de cima queima.
tabuleiro granola
6. Quando estiver com uma cor dourada e aparência tostada uniforme, retirem do forno e deixem arrefecer no tabuleiro. Vão reparar que a granola começa a endurecer e a formar um bloco. É necessário ir desfazendo o bloco com as mãos e mexendo para as camadas inferiores entrarem em contacto com o ar e endurecerem também. É nesta parte que decidem o quão estaladiça fica a vossa granola e o tamanho dos bocados que partem com as mãos. Podem deixar arrefecer totalmente e partir de uma vez, ou ir mexendo aos poucos.

Depois de fria, guardem num frasco com tampa hermética para não ficar mole e desfrutem!

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Uma espécie de queixume zangado

Já se devem ter perguntado, ou não, como correu o meu Outubro sem compras (de coisas novas, excluindo cosméticos, produtos de higiene, comida, roupa para miúdas e prendas). Já estive para vos vir cá contar da desgraça, mas tive vergonha. Digamos que correu tudo muito bem durante duas semanas, depois esqueci-me. Foi tão simples quanto isso. Esqueci-me. Nem os e-mails regulares que recebia do Buy Nothing New Month a relembrar-me fizeram efeito, porque a falta da preparação necessária para levar a cabo um empreendimento destes fez com que tomasse as decisões de comprar sem pensar a priori. Tive de comprar uma série de coisas para a casa e para as miúdas, e não me lembrei uma única vez de as procurar em segunda mão. Uma vez lembrei-me, mas onde ia eu encontrar feltro em segunda mão? Não comprei os fatos do Halloween, fi-los eu, é certo (e foram um sucesso!), mas precisei de comprar feltro, tule e umas bandoletes para pôr as orelhas. Se podia tê-las procurado na Internet, nos grupos de troca do Facebook? Podia. Mas, morando em Sesimbra, será que me ia mesmo deslocar até Lisboa ou outra cidade para ir buscar dois aros de bandolete usados? E os gases emitidos pelo automóvel nessa deslocação? E o tempo que perco e/ou roubo à família? A mim parece-me que todo este esforço roça o ridículo.

Pergunto-me como fazem aquelas pessoas dos blogues que passam um ano sem compras. Não quero acreditar que fazem batota, mas, caramba, é difícil como o raio. E desmotivante. Porque as grandes superfícies fazem 50% de desconto na aveia embalada e nós somos grandes consumidores de aveia. Porque o preço de certas coisas a granel (e da aveia comparada com a promoção) na única loja de produtos a granel que conheço na zona é absurdo. São produtos biológicos, podem dizer. Mas quando é que os produtos biológicos passam a ter preços mais acessíveis à carteira de todos? Assim como também é desmotivante, para terminar o rol de queixas, o preço justo, está certo, mas incrivelmente caro destas calças de ganga feitas à mão por uma empresa nacional. Por muito que eu queira, nunca vou ter dinheiro para comprar umas destas.

E é assim que termina um mês de reflexão sobre o consumo: a maioria das pessoas não tem dinheiro para sequer se dar ao luxo de pensar em quem é que faz a sua roupa, os seus brinquedos, as suas bolas de Natal. E tenho cá para mim que a minoria que tem dinheiro também não se preocupa muito. Mas não vale a pena vermos documentários destes se depois continuamos todos na mesma.

(Ainda não percebi se me estou a queixar, se é um apelo à acção. Também não está ali no meio. É melhor decidirem vocês.)

Às quartas na Net

E já é quarta, de novo. Parece que ultimamente só escrevo às quartas, sobre coisas que os outros escreveram. Mas com o trabalho pelo meio, fins-de-semana cheios de actividades e feriados, sobra-me muito pouco tempo para falar sobre coisas de cacaracá.

Deixo-vos, assim, com um post escrito pela 3 Macarrons (que agora já são 4), uma mãe de 4, espanhola a viver na Escócia, que sigo há algum tempo. Ela fala muito sobre parentalidade consciente, metodologia Waldorf e actividades com crianças para usar materiais naturais. Neste post, ela fala sobre educar sem gritos e dá 4 passos para a resolução de conflitos com as crianças.

Prós e contras de trabalhar em casa, em cartoons engraçados (ou não).

E um vídeo com uma receita para fazer desodorizante caseiro da Lauren Singer, uma acérrima defensora (e praticante) da redução de lixo. Podem ver outras receitas de cosméticos caseiros no seu blog Trash is for Tossers.