O teste do algodão e uma receita [experiências]

Ando a fazer algumas experiências para o meu mês de cosméticos homemade e já pude constatar o seguinte:

  1. O óleo de coco é o substituto natural perfeito para o desmaquilhante ou leite de limpeza. Usei, excepcionalmente, um disco de algodão (já só uso estes discos de flanela) para usar o branco do algodão como prova irrefutável da sua eficácia como produto de limpeza da pele e… voilá. A imagem fala por si: há claramente uma mancha mais escura após a limpeza da pele num dia normal, sem maquilhagem.Inconvenientes de usar óleo de coco para limpar a pele todas as noites: de inverno, o óleo de coco solidifica e é necessário derretê-lo previamente. Tenho posto uma tigela com uma noz de óleo de coco em cima do aquecedor no quarto das miúdas e ao fim de 2 minutos está líquido, mas convenhamos: não é a solução mais prática do mundo seis meses por ano…
  2. A receita deste livro de gel de banho é óptima. Além de ser super fácil e rápido de fazer, dá ainda para usar como sabonete líquido para as mãos. Lava, produz alguma espuma (os produtos de banho naturais não produzem tanta espuma como os de compra) e tem um cheiro agradável a sabão.
    Aspectos a melhorar:
    A) para gel de banho, ficou demasiado líquido. Talvez se, da próxima vez, usar sabão de marselha sólido em vez de líquido consiga obter uma consistência mais espessa.
    B) Deixa a pele ligeiramente com a sensação de pele repuxada. Não gosto. Quando voltei a ler a receita percebi porquê: não tem nenhum óleo ou hidratante natural, como óleo de amêndoas doces, de argão, mel ou azeite. Para a próxima vou experimentar com um destes.

    Receita de gel de banho natural
    350 ml de água + gel de aloe vera + hidrolato 
    120 ml de sabão de marselha líquido
    1 colher de chá de óleo essencial (eu usei de rosa)
    Misturar tudo num frasco de vidro e agitar bem (convém agitar sempre antes do uso, porque o sabão tem tendência para subir)

  3. A receita de shampô do mesmo livro revelou ser um autêntico desastre. Este livro sugere lavar o cabelo apenas com bicabornato de sódio ou vinagre de cidra e, bom, ainda não estou preparada para dar este passo. Nem sei se alguma vez estarei, com a quantidade de vezes que tenho de lavar o cabelo por semana por causa das idas ao ginásio. Mas tudo a seu tempo. Como alternativa a estas soluções, o livro propõe uma receita de shampô com base em leite de coco. Reza assim: leite de coco, sabão de marselha líquido, óleo de jojoba, óleo de abacate, óleo essencial de rosmaninho e óleo essencial de hortelã-menta. Misturar tudo. A razão porque não vos dou as quantidades é porque não devem experimentar esta receita nunca! A não ser que queiram passar dois dias com o cabelo como se tivesse sido lambido por uma vaca. Nesse caso, contactem-me!
  4. Fazer um esfoliante natural é muito fácil, basta juntar açúcar ou sal grosso e umas colheres de um óleo à escolha. Mas o açúcar (branco, amarelo ou mascavado) é uma opção muito mais agradável do que o sal, que se assemelha a uma verdadeira lixa e é completamente desaconselhado para esfoliar o rosto. Conselho de quem já experimentou os dois.

    Por enquanto é só isto. E vocês, que conselhos de beleza natural me podem dar?

Um texto sobre abraçar o desconhecido

Ontem saiu o texto que escrevi para a nova rubrica da Aptrad (Associação Portuguesa de Tradutores e Intérpretes). Intitula-se “De tradutora interna a freelancer – uma transição entre modos de vida”, vai ter uma segunda parte e é 100% autobiográfico.

Acho que não sei escrever de outra maneira. Talvez por isso tenha escrito tão pouco aqui ultimamente.

Quando propus este tema à direção da Aptrad fui muito bem recebida, mas não consegui dizer tudo o que me ia na alma num só texto. Daí ter decidido dividi-lo em dois. Demorei vários dias a editá-lo, a quatro mãos. Mas valeu a pena, as críticas de outros tradutores têm sido muito favoráveis.

Podem ir ao site da Aptrad lê-lo e conhecer melhor a associação e o programa de Mentoring. Para vos espicaçar a curiosidade, deixo-vos aqui um excerto:

(…) os primeiros meses não foram fáceis. Se, por um lado, me sentia aliviada e feliz com a minha decisão, contente por ser dona do meu tempo e tomar as rédeas da minha vida, por outro lado, dava por mim a contestar esta mesma decisão. Será que fiz bem? Será que vai resultar? Será que vou ser capaz? Em semanas de maior sufoco, quando os projectos recebidos não davam sequer para pagar a conta da luz, perguntava-me em desespero: “Mas o que foste tu fazer, a deitar assim fora um contrato sem termo pelo vão sonho da independência?” Era nestas alturas que era assombrada por tudo aquilo que tinha ouvido dizer sobre trabalhar por conta própria: “é instável”; “não tens ordenado fixo”, “o mês seguinte é sempre uma incógnita”, “não podes tirar férias”, “tens de trabalhar aos fins-de-semana para conseguires manter um ordenado decente” e outros cenários dantescos.

Créditos: http://iheartyou.pt/

Às quartas na net #1 (de 2017)

(Ao quarto dia, a vida já retomou o seu ciclo normal. Já quase nos esquecemos da farra na noite de dia 31 e, daqui a nada, também das resoluções que fizemos para o novo ano. A Alice não está a gostar nada de ter de voltar à escola, embora a Inês tenha encarado o fim das férias com normalidade. Nós, os adultos, regressámos ao trabalho, ainda que a meio gás para mim (Janeiro custa a arrancar no meu ramo), sendo que aproveito para atar umas pontas soltas do ano passado: a reclamação à operadora de televisão, o texto para a Aptrad, uma encomenda retida na alfândega, o tubo mal vedado do esquentador. De manhã, faço sumos verdes para os crescidos (maçã, pepino, aipo, espinafres, banana e abacate) para ajudar o corpo a fazer o seu trabalho, o preguiçoso que ainda não quis regressar ao ginásio. Felizmente a tosse está a passar.)