Varsóvia, Abril de 2017

A minha primeira vez na Polónia foi marcada por uma virose infernal e pela primeira maratona do Tiago. Ele, com conjuntivite no olho direito que por pouco não o impedia de correr, eu com conjuntivite no olho esquerdo, febre e uma dor de garganta tão forte que me fez pensar que, quando gozamos de boa saúde, não sabemos dar valor a coisas tão simples como uma garganta sem dores que nos permite fazer coisas que consideramos adquiridas, como engolir e dizer os sons “g” e “rr” sem parecer que temos um ferro em brasa enfiado goela abaixo.
O frio que se fazia sentir não terá certamente ajudado, mas o desconforto lá foi passando com os dias e com a receita da médica polaca, tendo conseguido desfrutar ainda de um terço das minhas férias.

A maratona foi cumprida em tempo recorde para um estreante e celebrada num restaurante típico de pierogis (os polacos que me perdoem a comparação: uma espécie de raviolis doces e salgados servidos com molho) e zurek (lê-se jurek, uma sopa ácida com salsichas e cogumelos) servidos por meninas vestidas em trajes típicos e semi-indecentes.

Passámos os dias seguintes a visitar a cidade, que eu ainda mal conhecia, apesar de lá estar há 4 dias, a cidade velha e os magníficos parques, o jardim nos telhados da biblioteca nacional e os jardins do rei onde tentámos enganar um esquilo com uma castanha podre. Estátuas de Chopin por todo o lado a atirar-nos à cara a nossa incultura musical, pois que Chopin era afinal mais polaco do que francês, e muitas alusões aos judeus e à II Guerra Mundial. Por azar, não conseguimos ver o Polin, o museu sobre a história da enorme comunidade judaica polaca que havia antes da Guerra, nem o Museu da Revolta de Varsóvia, pois fecham a dias de estarem abertos e trocaram-nos as voltas.

De Varsóvia guardo uma cidade não muito bonita, mas moderna, ampla, espaçosa e funcional. Em termos arquitectónicos é pouco interessante por ter sido praticamente destruída na Guerra e reconstruída às mãos do governo soviético. Sempre ouvi dizer que Cracóvia é muito mais bonita, mas disso só posso mesmo dizer o que de outros ouvi.

Dos polacos guardo um povo bonito, simpático, heróico por falar tão bem uma língua impronunciável (palavras com cinco consoantes seguidas são só um exemplo). Como fomos visitar os nossos amigos polacos, tivemos a oportunidade de conhecer dois lados de Varsóvia: a turística e a local, com alojamento em casa dos nossos amigos, num bairro residencial de jovens casais bem na vida, e visitas guiadas aos melhores restaurantes da cidade aonde o Lonely Planet não nos levaria.

Mas o mais interessante desta viagem, para além dos tecidos típicos que trouxe e que merecem um post por si só, foi a minha observação do dia-a-dia dos nossos amigos com 4 filhos. Sim, leram bem. Estes nossos amigos polacos têm 4 filhos e o seu dia-a-dia não é caótico, nem à base de gritos, queixumes ou revirar de olhos. Mas para não confundir assuntos e fazer a devida homenagem a algo que me marcou profundamente, falarei sobre isso noutro post. Deixo-vos por enquanto com algumas fotos da nossa estadia em Varsóvia.

Varsóvia, num dia de muito vento e frio, vista do terraço panorâmico do Palácio da Cultura
Palácio da Cultura de Varsóvia
Estado febril na estação de metro com nome impronunciável
Cozinha polaca de autor, menu com tudo isto por uns 15 €, que incluía sopa com ervas que nós não temos, bife tártaro e mão de vaca que comi sem saber…
Pierogis, estes provavelmente de carne.
A maravilhosa sopa żurek. Comi três vezes.
A cidade velha.
No parque Łazienki.
Tulipas por todo o lado, aqui a caminho do Monumento ao Soldado Desconhecido
Nas muralhas do castelo, cidade velha. Não sei quem são estas senhoras.

Os polacos consomem imensos fermentados. Aqui num restaurante kosher.

Em polaco, diz-se “basha basha basha” para chamar um esquilo. E eles vêm, à procura de comida.

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1 comment

  1. Ahhhh…os tecidos sao lindos!!! E os esquilos também 🙂
    (Estou aqui a escrever num intervalo de gritos das minhas filhas…e só tenho duas:)))

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