Leituras de 2017 #3

Estou a quatro livros de concluir o meu desafio de leitura para este ano (fui muito modesta quando o defini…), por isso tenho muitos livros para vos aconselhar, ou desaconselhar, a ler nas férias!

8. O Livro dos Baltimore, de Joël Dicker

Joël Dicker já se consagrou cá em casa como um dos nossos autores preferidos. Escreve bem, é despretensioso, prende e cativa desde a primeira página. É o livro perfeito para qualquer altura do ano, mas para as férias também, e é especialmente útil para quem precisa de retomar o gosto pela leitura.

O protagonista desta história volta a ser Marcus Goldmann, o famoso escritor de A verdade sobre o caso Harry Quebert, sobre o qual falei aqui. Mas esta história passa-se antes daquela e versa sobre a história da família Goldmann/Baltimore, ascensão e queda, amor e amizade. Cá em casa adorámos (os dois) e lemos de um só fôlego.

9. O Coração é o Último a Morrer, de Margaret Atwood

Falando em livros que ajudam a recuperar o gosto pela leitura, a minha amiga Paula pode confirmar-vos como este livro a ajudou a entrar nos eixos (livrescamente falando). Já andava para ler Margaret Atwood, uma conceituada autora norte-americana, desde os tempos da faculdade e com este livro fiquei curiosa sobre a restante obra.

O Coração é o Último a Morrer é aquele livro perfeito para ser adaptado ao cinema. Não sei se a autora o escreveu com essa intenção, mas ao lê-lo conseguia visualizar as cenas na minha cabeça, como se estivesse a vê-las no ecrã. Basicamente, imaginem uma sociedade em que as pessoas perderam tudo no crash da bolsa, vivem em carros e permanentemente aterrorizadas pelas criaturas nocturnas que aparecem para as atacar, violar, roubar e mais o quê. De repente, surge a oportunidade de terem uma vida melhor. Para isso, só têm de se candidatar a uma experiência social: viver numa comunidade com regras muito próprias com o objectivo de testar um novo modelo de sociedade. Uma das regras é que, de mês a mês, têm de trocar a rotina “normal” de casa-trabalho por uma rotina na prisão. A sua casa, que lhes foi dada pelo programa, passará nesse mês a ser ocupada por outro casal. Um mês em liberdade, um mês na prisão, alternando-se o casal. Ao princípio, tudo corre bem. Mas eis que começa a surgir curiosidade sobre o outro casal que ocupa a casa. E essa curiosidade leva à obsessão… Bom, espero já ter despertado a vossa curiosidade!

10. A Contraluz, de Rachel Cusk

A Bertrand enviou-me um e-mail a dizer assim: “Se gostou de Elena Ferrante, vai gostar deste livro.” E eu, feita parva, fui comprá-lo. Pois digo-vos que a Betrand não percebe nada do assunto e quem achou que Cusk é a nova Ferrante devia levar com uma barra de aço na cabeça.
Rachel Cusk não tem nada a ver com Elena Ferrante. Elena Ferrante é a diva, a perfeição, o sublime. Cusk é uma pretensiosa armada ao pingarelho que escreveu um livro que tive vontade de atirar pela janela. Teimosamente, li-o até ao fim, mas tudo me irritou: desde a panóplia de personagens que, por serem tantas e o livro pequeno (felizmente) não deixa espaço para uma construção sólida das mesmas, à história que, sinceramente, não é uma história. É o relato da viagem de uma escritora à Grécia para ir dar um workshop de literatura na Universidade e dos encontros fortuitos ou combinados que vai tendo ao longo da sua viagem e que levam a autora-protagonista a reflectir sobre a sua própria vida e família. Não há propriamente um enredo e as reflexões filosóficas abstractas e afectadas que encontramos pelo meio deixam muito a desejar. Odiei. Bertrand, vê se fazes melhor o trabalho de casa!

No mundo das ilusões

Vejo um filme sobre tudo aquilo que a indústria da comida nos faz crer que precisamos para ter uma alimentação saudável, mas que, na verdade, não precisamos ou até nos faz mal, ao mesmo tempo em que leio um livro sobre tudo aquilo que as indústrias da moda e dos cosméticos nos fazem crer que precisamos de usar para termos uma pele e cabelos saudáveis e bonitos, mas que, na verdade, nos estão a pôr doentes, e surgem-me três perguntas:

  1. Quanto mais tempo me vou deixar enganar?
  2. Em que mais é que ando a ser enganada?
  3. Quando é que me vão convencer que trabalhar faz mal à saúde e não preciso disso para viver? Isso é que era.

O Fascinante Mundo da Pele