Onde andas tu, Marie Kondo?

Quem não ouviu já falar da Marie Kondo, a rainha japonesa da arrumação? Há dois anos, escrevi sobre ela no meu blog anterior. Desde que li o seu livro, Arrume a Sua Casa, Arrume a Sua Vida (em inglês: The Life-Changing Magic of Tyding Up: The Japanese Art of Decluttering and Organizing), passei a dobrar a roupa de outra maneira que efectivamente me permite ter mais espaço nas gavetas (para mais roupa…) e dá aquele ar bonitinho e organizado das casas de revista (durante alguns dias, pelo menos). Ela não fala só na forma de dobrar a roupa, como é óbvio. O livro é sobre arrumação, mas também sobre como nos podemos e devemos livrar da tralha que não nos faz feliz. Mas eu fiquei-me pela forma de dobrar a roupa, confesso. Os outros capítulos como que se apagaram da minha memória… Por vezes, penso que se a Marie Kondo entrasse na minha casa tinha um chilique. Eu tenho vários chiliques e a casa é minha.

Chateiam-me as coisas. Chateia-me estar sempre a agachar-me para apanhar coisas do chão, andar sempre a dizer às miúdas para arrumarem, ter sempre, todos os dias, de manhã e à noite, roupa para dobrar, arrumar, lavar, estender. Se arrumo a estante da sala, daí a dois dias já está outra vez cheia de papéis, talões de multibanco, lápis de cera, tesouras, os phones da corrida, tudo espalhado ao acaso pelas prateleiras, a estragar o cenário clássico dos livros-de-fazer-vista e das fotografias de fim de ano das miúdas.

Mas quero deixar de me chatear com isto. Não quero ser daquelas mulheres rezingonas que passam o sábado de manhã a limpar e arrumar a casa e que gritam com a família quando alguém deixa cair uma migalha ou não arruma o rolo de papel higiénico. Vejamos: não é possível ter uma casa com crianças sempre arrumada. Porque se isso acontece, das duas uma: ou as crianças nunca estão em casa ou nunca brincam. E eu quero que as minhas filhas gostem de estar em casa e brinquem muito.

Por isso, decidi aceitar as coisas como elas são e deixar de stressar com isso. Se não tiver a casa sempre bonita para apresentar no Instagram, azar. Tenho feito alguns exercícios mentais para aprender a relaxar quando começo a sentir o peso das coisas, especialmente quando o cesto da roupa suja começa a transbordar e está aquele tempo frio e húmido que não deixa secar nada. Nestes exercícios, até já encontrei alguns paralelismos engraçados que me fazem sempre rir. Por exemplo, tento olhar para o cesto da roupa suja e ver o arco-íris. Sabem porquê? É que ambos não têm fim! Ahahah! Gostaram?

Dito isto, vou tentar dar início a uma nova rubrica fotográfica – soa muito profissional, mas não é. São apenas algumas fotografias que vou tirando com o telemóvel, aqui e ali, das coisas que estão nos lugares errados, tal como estão, sem as compor para a foto, como prova da presença constante da passagem de crianças, como uma espécie de ode à desarrumação. Porquê? Porque a desarrumação faz parte da minha vida. A tralha continua a entrar na minha casa e, enquanto eu não fizer mudanças profundas no espírito consumista da família (que vou fazer, este post não é nenhum atirar da toalha, não me interpretem mal), as coisas vão continuar a acumular-se. E as minhas filhas vão continuar a brincar. E a sujar. E eu não vou stressar mais. Vou até encontrar alguma beleza nisso. Ou, pelo menos, vou tentar.

 

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