Leituras de 2017 #6

18. História da Menina Perdida, de Elena Ferrante

O último volume da série Amiga Genial. Procurei arrastar a leitura, para adiar ao máximo chegar ao fim do livro, mas não consegui. Este é daqueles livros que se leem de um só fôlego. Mas, como esperava, fiquei triste quando o terminei. Porque fiquei sem a companhia da Lila e da Lenú e porque sei que vai ser difícil encontrar outro autor que supere a genialidade de Elena Ferrante.

Recomendo vivamente a leitura destes quatro volumes (A Amiga Genial, História do Novo Nome,  História de Quem Vai e de Quem Fica, História da Menina Perdida). É do melhor que já li nos últimos anos (décadas? a vida toda?).

19. 1Q84, Livro 2, de Haruki Murakami

Na sequela do volume 1, continuamos a acompanhar as desventuras de Aomame e Tengo e a realidade fantástica do ano de 1Q84, uma espécie de mundo paralelo em que as coisas não são o que parecem. Fica a faltar-me o volume 3 para descobrir como se vão safar os dois da embrulhada em que se meteram e se acabarão algum dia por se reencontrar.

20. Meia-Noite ou o Princípio do Mundo, de Richard Zimler

Até agora, ainda não houve nenhum livro do Richard Zimler de que não tenha gostado. O tema gira sempre em torno dos judeus, perseguição aos judeus nas diversas épocas, cristãos-novos, etc, e são livros muito bem escritos. Zimler é um contador de histórias exímio e, neste livro, nos traz a história da amizade incondicional entre John Zarco Stewart, filho de uma judia portuguesa, e Meia-Noite, um carismático curandeiro trazido de África para o Porto. Gostei muito, são 576 páginas que voam… como uma pena.

Leituras de 2017 #5

15. O Meu Nome Era Eileen, de Ottessa Moshfegh

Comprei este livro pelo título, a pensar que seria um policial ou thriller americano. Não podia estar mais enganada. Cedo percebi que se tratava, sim, de um romance sobre uma rapariga desajustada da sociedade e do seu tempo (anos 50, 60), mal amada pela família e um pouco neurótica, que trabalha num centro de detenção juvenil. Foi um acaso feliz este de me ter cruzado com a escrita inteligente de Otessa Mosfegh. Gostei muito do livro que me prendeu de uma maneira especial principalmente a partir de meio, quando a protagonista conhece uma rapariga por quem fica obcecada e que a tenta convencer a cometer um crime… afinal, sempre há um crime!

16. Hoje Vai Ser Diferente, de Maria Semple

Ora, aqui está aquele caso típico da debutante de sucesso que se espalha ao comprido no segundo livro. Este livro é uma confusão e a forma cómica como a escritora tenta descrever a protagonista, uma ilustradora com diversos problemas familiares, acaba por ser demasiado forçada e esforçada. Adorei o sei primeiro livro, “Até ao Fim do Mundo”, foi uma lufada de ar fresco para mim na altura, mas este livro chegou a aborrecer-me um pouco. É pena.

17. O Fascinante Mundo da Pele, de Yael Adler

Talvez este livro não devesse estar aqui porque não se insere na categoria da ficção e eu só tenho falado aqui sobre literatura ficcional. Mas decidi incluí-lo no rol dos livros lidos porque:

1 – li-o como se fosse um romance, tal é a forma simples e interessante em que está escrito;

2 – toda a gente o devia ler para aprender mais sobre o maior órgão do nosso corpo que diariamente sujeitamos às maiores tormentas.

Graças a este livro reconheci que a minha verruga plantar afinal não vinha e voltava, mas sempre cá esteve e tem de ser levada a sério; que não vale a pena pôr cremes anti-celulite porque, para fazerem efeito, esse tipo de cremes tinha de penetrar na camada 2 da pele, a derme,  e não consegue; que usar cotonetes faz mesmo muito mal e não só ao ambiente; que devemos usar o menor número de cosméticos possível e que afinal não vou fazer tatuagem nenhuma. Entre muitas outras coisas. Recomendo vivamente.

A única coisa que falha, a meu ver, é a ausência de destaques nos conselhos e dicas úteis para o dia a dia. Se quisermos usá-lo como livro de consulta para reconhecer certos problemas de pele, por exemplo, torna-se mais difícil encontrar a passagem certa numa série de parágrafos corridos do que se tivesse algumas passagens ou palavras assinaladas a negrito ou a outra cor.

Leituras de 2017 #4

11. A Grain of Truth, de Zygmunt Miloszewski

Comprei este livro na Polónia, durante a minha visita a Varsóvia. Foi-me recomendado como sendo um dos nomes incontornáveis da literatura policial polaca. Comprei este em especial para conhecer um pouco melhor a história dos judeus na Polónia, que não é isenta de controvérsia. Levei algum tempo a lê-lo por causa das letrinhas pequenas (decididamente, os livros de bolso são agora para mim como dormir em camaratas em viagem- prefiro pagar mais para ter algum conforto), mas rapidamente me embrenhei na história. Foi bom ter começado a lê-lo assim que cheguei da Polónia – aliás, comecei a lê-lo logo no avião – porque assim consegui entrosar-me melhor nos nomes das personagens (cujos apelidos parecem quase todos iguais devido ao número de consonantes seguidos) e não confundi-los quando apareciam os diminutivos – os polacos têm muito o hábito de tratar as pessoas por diminutivos, muitos deles não sendo exactamente óbvios, como é o caso de Basia, diminutivo de Barbara,  ou Asia, diminutivo de Joana.
Quanto à história, gostei muito e talvez compre outro livro dele quando voltar à Polónia.

12. Escrito na Água, de Paula Hawkins

Raramente compro um livro assim que ele sai, mas como tinha gostado tanto de “A Rapariga no Comboio“, acabei por comprar o novo livro de Paula Hawkins poucas semanas depois de sair. Já soube de quem tenha gostado mais deste do que do primeiro – ele há gostos para tudo, é verdade – mas não foi o meu caso. “Escrito na Água” parece ser o perfeito exemplo de uma escritora que, tendo obtido um retumbante sucesso com o seu primeiro livro, se vê pressionada a superá-lo na obra seguinte, acabando por ficar aquém do que dela é esperado.
O problema deste livro nem é a história em si, que eu achei deprimente e demasiado forçada, ou o facto de a escritora usar o mesmo registo narrativo (a divisão dos capítulos por personagens). É a panóplia de personagens. Há tantas personagens que a autora acaba por não conseguir construir uma base sólida para cada uma delas. As personagens são pobres, meros peões necessários para contar a história de diversas perspectivas, mas debilmente estruturadas. Acaba por haver uma ou outra ponta solta, coisas mal contadas que ficam suspensas no ar quando chegamos à última página.

Ainda assim, não se iludam: dá um bom livro para as férias. Prende quanto baste e não é aborrecido. Só não tenham expectativas demasiado elevadas, como eu tinha.

13. O Meu Nome é Lucy Barton, de Elizabeth Strout

Não sei porque comprei este livro. Acho que queria variar um pouco e apanhei este em promoção. Apesar de o resumo da autora dizer maravilhas da sua obra, não achei este nem mau nem bom. Na verdade, nem sei como defini-lo. Não há propriamente uma história: a protagonista encontra-se internada no hospital e recebe a visita da mãe, com quem sempre teve uma relação difícil. Isto faz com que reflicta na sua vida, na sua relação com a mãe e com os seus próprios filhos. Nada de especial, portanto. Como é curto, lê-se bem, mas está longe de ser um dos melhores que li este ano.

Leituras de 2017 #3

Estou a quatro livros de concluir o meu desafio de leitura para este ano (fui muito modesta quando o defini…), por isso tenho muitos livros para vos aconselhar, ou desaconselhar, a ler nas férias!

8. O Livro dos Baltimore, de Joël Dicker

Joël Dicker já se consagrou cá em casa como um dos nossos autores preferidos. Escreve bem, é despretensioso, prende e cativa desde a primeira página. É o livro perfeito para qualquer altura do ano, mas para as férias também, e é especialmente útil para quem precisa de retomar o gosto pela leitura.

O protagonista desta história volta a ser Marcus Goldmann, o famoso escritor de A verdade sobre o caso Harry Quebert, sobre o qual falei aqui. Mas esta história passa-se antes daquela e versa sobre a história da família Goldmann/Baltimore, ascensão e queda, amor e amizade. Cá em casa adorámos (os dois) e lemos de um só fôlego.

9. O Coração é o Último a Morrer, de Margaret Atwood

Falando em livros que ajudam a recuperar o gosto pela leitura, a minha amiga Paula pode confirmar-vos como este livro a ajudou a entrar nos eixos (livrescamente falando). Já andava para ler Margaret Atwood, uma conceituada autora norte-americana, desde os tempos da faculdade e com este livro fiquei curiosa sobre a restante obra.

O Coração é o Último a Morrer é aquele livro perfeito para ser adaptado ao cinema. Não sei se a autora o escreveu com essa intenção, mas ao lê-lo conseguia visualizar as cenas na minha cabeça, como se estivesse a vê-las no ecrã. Basicamente, imaginem uma sociedade em que as pessoas perderam tudo no crash da bolsa, vivem em carros e permanentemente aterrorizadas pelas criaturas nocturnas que aparecem para as atacar, violar, roubar e mais o quê. De repente, surge a oportunidade de terem uma vida melhor. Para isso, só têm de se candidatar a uma experiência social: viver numa comunidade com regras muito próprias com o objectivo de testar um novo modelo de sociedade. Uma das regras é que, de mês a mês, têm de trocar a rotina “normal” de casa-trabalho por uma rotina na prisão. A sua casa, que lhes foi dada pelo programa, passará nesse mês a ser ocupada por outro casal. Um mês em liberdade, um mês na prisão, alternando-se o casal. Ao princípio, tudo corre bem. Mas eis que começa a surgir curiosidade sobre o outro casal que ocupa a casa. E essa curiosidade leva à obsessão… Bom, espero já ter despertado a vossa curiosidade!

10. A Contraluz, de Rachel Cusk

A Bertrand enviou-me um e-mail a dizer assim: “Se gostou de Elena Ferrante, vai gostar deste livro.” E eu, feita parva, fui comprá-lo. Pois digo-vos que a Betrand não percebe nada do assunto e quem achou que Cusk é a nova Ferrante devia levar com uma barra de aço na cabeça.
Rachel Cusk não tem nada a ver com Elena Ferrante. Elena Ferrante é a diva, a perfeição, o sublime. Cusk é uma pretensiosa armada ao pingarelho que escreveu um livro que tive vontade de atirar pela janela. Teimosamente, li-o até ao fim, mas tudo me irritou: desde a panóplia de personagens que, por serem tantas e o livro pequeno (felizmente) não deixa espaço para uma construção sólida das mesmas, à história que, sinceramente, não é uma história. É o relato da viagem de uma escritora à Grécia para ir dar um workshop de literatura na Universidade e dos encontros fortuitos ou combinados que vai tendo ao longo da sua viagem e que levam a autora-protagonista a reflectir sobre a sua própria vida e família. Não há propriamente um enredo e as reflexões filosóficas abstractas e afectadas que encontramos pelo meio deixam muito a desejar. Odiei. Bertrand, vê se fazes melhor o trabalho de casa!

10 sugestões de livros infantis

Está aí a Feira do Livro. Já lá fui desgraçar-me, ou melhor, abastecer toda a nossa família com livros para o ano inteiro. Este ano, como a Inês já sabe ler, decidi criar-lhe uma lista de leitura para o verão, mas sobre isso falarei mais tarde. Por enquanto, gostaria de deixar algumas sugestões dos livros que mais se têm lido cá por casa, na hora da história antes de dormir, para a faixa etária dos 3 aos 6.

Temos este livro há muito tempo, foi uma grande amiga que deu à Inês-bebé e que continua a ser um sucesso agora também para a mais nova. É uma história sem palavras, em que o texto está na nossa imaginação.

Este foi a compra mais recente escolhida por mim. Fascinaram-me as ilustrações, mas a história é também muito doce: a amizade improvável entre um menino e uma baleia. Mas as ilustrações… dão vontade de entrar dentro do livro!

Uma história simples e leve de esperança, que nos ensina a nunca desistir.

Este livro é maravilhoso. Na verdade, não o temos, mas já o trouxemos da biblioteca duas vezes e a Inês está sempre a pedir para o ler. A história é muito doce e ensina-nos a ver sempre o lado bom das coisas. É maravilhoso, já disse.

Este livro também fui eu que escolhi. Acho que elas não gostam muito das ilustrações, mas eu adoro-as. A história é de imaginação e esperança. E é de autor português.

Fofinho, desperta o amor pelos livros e incute o gosto pela leitura. Ambas gostam muito da história.

A Alice chora sempre que o pinguim se perde, mas esta é, essencialmente, uma história sobre a amizade.

O Tino é muito engraçado. Vive no Pólo Sul, mas o que ele queria mesmo era ir para o deserto. Escrito em verso (é sempre uma boa aposta) com palavras giras e difíceis, a história relata a viagem de Tino e todas as peripécias que vive até perceber que não precisa de fugir àquilo que é para ser feliz.

Também já temos este livro há muito tempo e eu gosto muito de o ler. Grisela é uma ratinha triste que tenta mudar de cor várias vezes, sem sucesso, pensando, iludida, que outra aparência lhe traria mais felicidade. Mas, afinal, do que ela estava à procura era mesmo só de um amigo…

Lemos esta história há algum tempo na biblioteca e trazemo-la para casa sempre que podemos. É uma história maravilhosa sobre amizade.