Alice, a menina grata

Primeiro foi a azáfama para a preparação da festa da Alice, depois o merecido descanso seguido da virose que deitou metade da família abaixo. Assim se passaram três semanas desde o quarto aniversário da Alice sem que eu conseguisse terminar o post que tinha começado sobre ela. Agora que estamos quase recuperadas, aproveito a calmaria do segundo feriado de Dezembro para terminá-lo, enquanto me vai chegando o aroma do ensopado de borrego que vamos ter para o almoço. Cá em casa é em assim. Sempre com direito a ementa de dias de festa.

Mas a Alice. A menina alegre, terna, grata. Sempre com uma música qualquer nos lábios, cujo repertório varia desde o Frozen à Cinderela do Carlos Paião, acompanha qualquer tarefa com movimentos corporais ritmados, seja a dançar (e fecha o olhos quando dança, como se já sentisse a música a comandar-lhe os movimentos), seja a pular. Quando ainda mal falava, avaliámos o seu grau de contentamento pelos pulinhos que dava. Não gosta lá muito de arrumar, é verdade, e trabalhar não é mesmo com ela, mas como diz o pai: enquanto os outros completam uma tarefa, tem de haver alguém a animar a malta.

A educadora diz que a Alice é muito mimocas, que está sempre a dar e a pedir beijinhos e a dizer “gosto de ti”. Confirmo que em casa é igual. Quando estive doente e as proibi de me dar beijinhos para não lhes pegar o vírus, tive de arranjar uma alternativa para a Alice, que não sossegava se não me pudesse dar um beijinho num sítio qualquer: o cotovelo, no joelho, no alto da cabeça. Fica muito ofendida se nos zangamos com ela, mesmo se tiver feito um grande disparate, e chora com uma dor genuína, sentida bem dentro de si, implorando colo enquanto nos faz festinhas, como se tivesse medo que, por nos zangarmos, tivéssemos deixado de gostar dela…

Mas o que ainda mais me comove é a sua gratidão. A gratidão que eu tento inculcar na mais velha e que eu própria tento aprender é inata à mais nova. Palavras como se faz favor, com licença e obrigada fazem parte do seu vocabulário diário. Se lhe compro alguma coisa, seja uma prenda seja uns simples chinelos para a natação porque os antigos deixaram de servir, a gratidão que sente é verdadeira, como se ficasse genuinamente surpreendida por nos termos lembrado dela. E quando os amigos se juntam em redor da mesa para lhe cantarem os parabéns, é vê-la a olhar à volta, demorando-se a observar cada pessoa que lhe aplaude o aniversário, como se estivesse a apreciar o momento e a gravar na memória todas as pessoas que vieram festejar o seu aniversário consigo. E, no fim, canta sozinha, como se nunca tivesse sido tímida, o obrigada, meus amigos, distribuindo depois uma fatia de bolo pelos amigos e familiares, equilibrando no braço os pratos da Ladybug sem que nenhuma das fatias do red velvet caia ao chão.

Parabéns, minha querida Alice. Que a gratidão te acompanhe ao longo dos quatro anos.

A saia dos elefantes

A saia dos flamingos, que para ela são patos, era gira, mas não era ainda bem o que ela queria. Giro, giro, era uma saia dos elefantes. Calhou a mãe ainda ter um resto de uma capulana com elefantes que trouxe de Moçambique em 2011 e que fez uma saia mais rodada.

 

 

 

-E agora, já gostas mais desta saia?

-Mamã, agora quero uma saia das girafas!

Saia dos flamingos

Depois de um longo Inverno sem vontade de pegar em agulhas, nada como recomeçar a costurar com um tecido lindíssimo que comprei há uns tempos na M is for Make. A ideia sempre foi fazer uma saia. Mas deixei a Inês crescer demasiado depressa e agora só tinha tecido para a Alice. Ainda assim acho que ficou o máximo. E este modelo é tão básico e simples de fazer que me pergunto porque é que não faço mais saias destas…